Sunday, August 19, 2007

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Estou a imprimir, dobrar e meter em envelopes 159 cartas que vão seguir direitinhas para escolas da zona de Lisboa, à espera que alguma delas mostre interesse em divulgar aos pais dos alunos que por lá andam que existe um gabinete que se está a propôr fazer exames de orientação aos alunos. Sei que não há dinheiro, que apenas poderá haver interesse dos pais que tenham verba para nos pagar, mas... é ver o que acontece. Acho que o futuro do gabinete vai depender bastante da receptividade que estas cartas tenham junto das escolas. A orientação ainda está muito mal entendida entre escolas e grande parte da culpa do estado actual das coisas é dos psicólogos. Na semana passada, fui a um encontro de psicólogos em que se soube finalmente da possíbilidade dos SPO's (Serviços de Psicologia e Orientação) passarem a deixar de existir nas escolas. É uma intenção da parte do ministro da educação e tem a sua razão de ser. Os SPO's estão nas escolas há cerca de 20 anos. Foram o resultado de muito trabalho por parte de psicólogos na adaptação de testes de avaliação psicológica para Portugal, alguma spressões junto do Ministério da educação bem como um pouco de sorte dada a conjuntura económica que existia (mais dinheiro, leia-se). Entretanto, 20 anos passaram e sobretudo o que houve, para além de trabalho "não visível" (intervenção com os alunos e actividades feitas em conjunto com professores, sessões de informação, educação sexual não-oficializada, educação emocional......) foi uma falta de sentido de gestão. Para alguém que não é da área e não contacta no dia a dia com o trabalho do psicólogo na escola, não se vê nada. Não há avaliações, números, relatórios, percentagens, taxas de sucesso... nada. Isso é importante, ao menos para se ter a noção de que o dinheiro está a ser bem gasto. Só nesses encontro é que vi uma preocupação em começar a pensar numa forma de avaliação dos SPO's. E não poderá nunca ser feita pelos psicólogos. Será, acima de tudo, pelos alunos e encarregados de educação, com questionários. E por entidades exteriores. Receptividade para se avaliar o trabalho de quem está nos SPO's existe, não há é gestão. :( Como sempre, nesse tipo de encontros, lá estava o sindicato e a associação para a criação da ordem dos psicólogos (cena mais bimba, uma organização para a criação de algo que não existe.... e têm sócios , que pagam inscrição, só mesmo cá...)... a servirem,-se da incerteza dos psicólogos para angariarem mais algum... chulos! Mas ao menos foi bom ver que existem ainda pessoas com iniciativa, que podem dar alguma visão de gestão na psicologia e que têm espirito arejado. Entretanto, por paradoxal que possa parecer, estou eu a contactar escolas (sem SPO, atenção) para "tirar os alunos de lá" e fazer daquela sintervenções mesmo pontuais (máximo 5 dias). Em alguns paises é assim que se faz, embora implique muita iniciatuva da parte do jovem. É o jovem que vai ao gabinete de orientação, que pesquisa, que recebe umas dicas do psicólogo, que decide... mas essa proactividade, ao menos treina-os a ter a consciência de que o futuro, constroem-no eles. Essa ideia do Ministério da Educação não é tão má quanto isso. Embora esteja ao nível da ideia das "superesquadras" (a ideia é centralizar os SPO's em serviços centrais), se os psicólogos não se confinarem a esses espaços, pode ser que tenha saida. É preciso é estar sempre a ir a escolas, a propôr programas, a estar intimamente relacionados com os alunos... mas estes também têm que se mexer.... é ver o que dá...

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